Reprodução e Cruzamento

Os guppies são facilmente reproduzidos, são vivíparos e nascem nadando, o grande segredo deste procedimento é saber organizar os cruzamentos e principalmente selecionar os peixes que farão parte destes cruzamentos. Em criações decorativas utilizamos apenas machos e não corremos o risco de cruzamentos indesejáveis.

Mas nas criações dedicadas à reprodução e manutenção de linhagens, todos os peixes são selecionados segundo os padrões de sua linhagem, desta forma saberemos formar bons trios e os cruzamentos apresentarão melhoramentos nos padrões, caso contrário se os cruzamentos não forem planejados e os padrões não forem minuciosamente observados a linhagem perderá o seu valor, os peixes perderão características importantes que após algumas gerações desaparecerão.

Os cruzamentos planejados são conhecidos pela nomenclatura em inglês: Inbreeding (Cruzamento na mesma linhagem entre parentes, pai x filha e mãe x filho), linebreeding (cruzamento na mesma linhagem, porém com peixes de linhas diferentes, "sangue diferente"), Out-crossing (Cruzamento com outra linhagem) e Back-crossing (Cruzamento entre avós e netos, sempre voltando na origem).

REPRODUÇÃO SELETIVA DE GUPPIES

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Como todos os criadores de animais de exposição, os de guppy exercitam o que costumo chamar de "engenharia" genética em busca do aprimoramento da raça. Seus esforços são direcionados para o Padrão do Guppy, no Brasil estabelecido pela International Fancy Guppy Association.

Assim é que um criador poderá estar buscando um avultamento do corpo, pois que sua linhagem é falha neste aspecto, outro procurando uma maior identidade entre a cor da nadadeira dorsal e a da caudal e outro tentando escurecer a tonalidade do vermelho ou aumentar o tamanho da cauda ou sua amplitude.

Normalmente, tais esforços são exercidos mediante a seleção dos exemplares que contenham tais características mais próximas do desejado, em sucessivos cruzamentos.

Reprodução seletiva, como afirma o nome, é o processo de descartar da reprodução os exemplares que não atendem ao esperado, concentrando-se naqueles que melhor o representam.

O primeiro passo para o cruzamento seletivo é adquirir boas matrizes, que já tenham fixado a maior parte das características desejadas. Ainda que teoricamente seja possível alterar positivamente qualquer aspecto de uma linhagem, na prática é impossível lidar com múltiplos defeitos, pois a superação de um deles na maioria das vezes enfatiza outros.

Além disso, somente matrizes oriundas de um bom criador terão genotipos consistentes com a variedade pretendida.

Alternativas

Muito embora, tecnicamente, todos os cruzamento entre indivíduos mais próximos do que a média da população, sejam inbreeding, com variáveis coeficientes de proximidade, na prática costumamos classificar de inbreeding aqueles cruzamentos que envolvem parentes próximos, line-breeding, quando há algum parentesco mais distante entre os exemplares, da mesma linhagem, e outcross, quando os envolvidos não possuem qualquer parentesco ou são de outra linhagem.

O inbreeding é o caminho para os campeões ou para os desastres, pois que soma características já semelhantes, potencializando-as. Dele resultam melhorias expressivas de virtudes que ambos possuem, mas também o aparecimento de defeitos não evidentes nos pais.

Suponhamos que uma mãe transmitiu aos filhos uma cauda de tamanho excepcional, eis que, geneticamente, carrega esse predicado. Se a cruzarmos com seu filho ou neto, provavelmente teremos caudas ainda maiores. Por outro lado, um defeito na forma da cabeça, recessivo, que não havia se demonstrado, poderá surgir, neutralizando aquela vitória.

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Além disso, sabe-se que sucessivos cruzamentos entre parentes próximos, levam a um enfraquecimento geral da linhagem, que se manifesta por redução de tamanho, maior número de deformidades e maior suscetibilidade a determinadas moléstias. Portanto, o inbreeding é como aqueles remédios com elevada capacidade de cura, mas que em dosagens elevadas podem causar malefícios.

Para efeito de line-breeding, mantenha, desde o início duas linhagens, a partir de duas fêmeas originais, do mesmo trio. Conduza cruzamentos independentes em cada uma. Essa distinção é a base para futuros line-breedings, ou seja de cruzamento de parentes distantes.

O outcross, por seu turno, deve ser utilizado com extrema parcimônia, pois seus resultados são imprevisíveis. É muito possível, por exemplo, que os filhotes de primeira geração de um outcross sejam melhores do que os próprios pais, mas que na próxima geração a aleatoriedade de resultados comece a se manifestar. Feito um outcross, por algum motivo, retorne ao line-breeding ou inbreeding, para que a linhagem tenha consistência.

Registros

Para fins de controle, costumamos denominar de F0 os primeiros exemplares, normalmente adquiridos de terceiros, de F1 os filhos do cruzamento desses e de F2, F3 e assim por diante, os cruzamentos dos filhos sucessivos.

Em um caderno ou planilha de computador, é imprescindível iniciar os registros com o nome da variedade, criador de origem, idade, data de cruzamento. Identifique as fêmeas como "A" e "B". Anote, também, no vidro dos aquários: a mãe, data de nascimento, quantidade, geração (F?) e ninhada I, II, III, IV, etc..

Estrutura

Para reprodução seletiva, necessitamos no mínimo de 6 aquários para cada variedade.

Fonte: Alexandre Bofim