Experiências de cruzamentos

MANUTENÇÃO

Uma dificuldade encontrada pela maioria dos criadores de guppy (não só iniciantes, mas criadores mais antigos também) é a manutenção e/ou melhora da linhagem criada. Tentarei, com esse texto, mostrar uma maneira de se fazer essa manutenção/melhora.

Não é, talvez, a melhor, tampouco a única, mas é a que eu uso e tem dado bons resultados.

Vamos partir de um trio inicial (se o criador adquirir dois trios, tanto melhor, pois dobrará a quantidade de peixes e a possibilidade de encontrar bons exemplares), e chamar oas duas fêmeas de A e B.

Da primeira, ou segunda, ou das duas crias da fêmea A, você separa os 2 melhores machos e 3 melhores fêmeas de acordo com cada uma das seguintes caractrísticas: cor da cauda, tamanho da cauda, cor do corpo e tamanho do peixe. Você fica, portanto, com 8 machos e 12 fêmeas da fêmea A, fazendo 4 cruzamentos: CorCaudaA, TamCaudaA, CorCorpoA, TamPeixA.

Quanto à fêmea B, os passos são repetidos, obtendo-se mais 4 cruzamentos : CorCaudaB, TamCaudaB, CorCorpoB e TamPeixB. Desses cruzamentos, você selecionará, novamente, 2 machos e 3 fêmeas da mesma característica dos pais, obtendo os cruzamentos CorCorpoAA, TamCaudaBB, e daí por diante.

Nessa segunda geração (ou F2, como costumam dizer os criadores mais experientes), você misturará as duas linhas da mesma caractrística, obtendo CorCorpoAABB (macho CorCorpoAA x fêmea CorCorpoBB), CorCorpoBBAA (macho CorCorpoBB x fêmea CorCorpo AA), e daí por diante. Como são 3 fêmeas em cada cruzamento, as duas primeiras crias você denomina 1 e 2, ficando CorCorpoAABB1, CorCorpoAABB2, CorCorpoBBAA1, CorCorpoBBAA2, etc.

Agora, cruze os machos 1 com as fêmeas 2, e vice-versa, obtendo os definitivos, sendo, por exemplo CorCorpo AABBdef (os melhores, contando 1×2 e 2×1), CorCorpoBBAAdef, etc. O cruzamento, agora, é dentro da mesma característica, os AABB com os BBAA (machos de um com fêmeas do outro).

Selecionando os melhores (sempre lembrando: Os melhores na característica pretendida, mas que não fuja da linhagem inicial), obtemos CorCorpoDef1 e CorCorpoDef2 (2 primeiras fêmeas que derem cria). Cruza-se os machos 1 com as fêmeas 2 e vice-versa, obtendo os melhores peixes de determinada característica.

O próximo passo é juntar as características, de 2 em 2. O usual é juntar CorCorpo com TamPeix e CorCauda com TamCauda (macho de um com fêmea do outro), ficando CorpoA, CorpoB, CaudaA e CaudaB, todos 1 e 2. Após isso, junta-se os 1 com os 2, machos de um com fêmeas do outro, obtendo CorpoADef, CorpoBDef, etc. (obviamente, os melhores, seja 1×2, seja 2×1). A partir desses, obtemos CorpoAB, CorpoBA, CaudaAB, CaudaBA.

Os melhores machos AB são colocados com as melhores fêmeas BA, obtendo os peixes Corpo1 e2 e Cauda1 e 2. A fixação final da característica ocorre agora, com o cruzamento 1 x 2 e 2×1. Os melhores são Corpo e Cauda.

Para obter o melhor peixe (esperamos que melhor que o peixe que você comprou), cruze os machos corpo com as fêmeas cauda e vice-versa, obtendo FinalA e FinalB, 1 e 2. Cruze o macho 1 com a fêmea 2 e Vice-versa. Pegue os melhores e cruze FinalAxFinalB e FinalBxFinalA. Pegue os melhores e cruze FinalAB x FinalBA.

O resultado desse cruzamento será (provavelmente) o seu melhor exemplar da linhagem, pronto para reiniciar os cruzamentos. Note que, se você iniciar com 2 trios, agora você pode misturá-los, e demorará o dobro do tempo para você ter de comprar novas matrizes.

Se você tiver menos espaço que o requerido, no início, ao invés de 4 características, selecione apenas 2 (corpo e cauda).

Qualquer dúvida, mande um e-mail que responderei prontamente.

Boa criação.

Fonte: Marcos Tanaka Riyis

 

A ACLIMATAÇÃO DOS PEIXES

Uma das dúvidas (e erros) mais freqüentes entre os aquaristas iniciantes diz respeito à aclimatação dos peixes recém-chegados.

Há diversos procedimentos indicados para esse fim, mas vou descrever aqui o que eu costumo utilizar, que é o que eu considero o melhor.

  1. Deixar os saquinhos com os peixes boiando no aquário por, pelo menos, 20 minutos.
  2. Abrir o saquinho e coloca-lo dentro de alguma vasilha (caneca, balde ou algo similar), sem tirar os peixes de dentro do saquinho.
  3. Medir o pH do saquinho e do aquário. Se estiver igual ou próximo (até 0.2 de diferença), siga as próximas instruções, senão, siga as mesmas orientações, apenas deixando o dobro do tempo indicado em cada etapa.
  4. Adicionar ao saquinho uma quantidade de água do aquário equivalente a 1/3 da água do saquinho, e aguardar 20 minutos.
  5. Repetir o passo 4.
  6. Repetir o passo 4.
  7. Jogar fora ½ da água do saquinho e completá-lo com a água do aquário. Deixar descansando por 20 minutos.
  8. Adicionar um pouco mais de água do aquário no saquinho, e aguardar mais 15 minutos.
  9. Finalmente, a melhor parte: pode soltar os peixinhos em sua nova casa.

Nas trocas totais de água do aquário, o ideal é que esse procedimento seja repetido, para que o peixe não estranhe a nova água. Apesar da temperatura e do pH serem facilmente equalizados, o mesmo não ocorre com outros fatores, como dureza, alcalinidade, carbonato, íons dissolvidos, nitrato, nitrito, amônia, e outros. Portanto, a equalização lenta da água se faz tremendamente necessária.

É isso.

Espero que tenham sucesso na nova criação.

Qualquer dúvida, é só me mandar um e-mail que responderei prontamente.

 

TRATAMENTO DE DOENÇAS

Não pretendo nesse artigo descrever um tratado científico sobre as doenças, mesmo porque não sou especialista nem profundo conhecedor do assunto.

Não vou falar sobre sintomas patogênicos de bactérias gram positivas, gram negativas, bolores classe alfa ou outras coisas desse nível.

Um criador de guppies que entende muito desse assunto é o Carlos Beserra, cujo e-mail é cbeserra@furnas.com.br

Para maiores esclarecimentos, entrem em contato com ele, que obterão informações muito mais precisas.

Com esse artigo cumpro o que considero ser minha obrigação, que é orientar os demais criadores, principalmente os iniciantes no tratamento das doenças mais comuns.

Esses tratamentos podem ser efetuados para a maioria das doenças detectáveis em guppies, sem que o tratamento cause efeitos colaterais.

As doenças mais comuns em guppies são causadas por fungos e/ou bactérias.

Para essas doenças cujos sintomas mais comuns são: cauda e nadadeira dorsal fechadas, olhos inchados, guelras avermelhadas, “algodões” no corpo do peixe, eu costumo utilizar 3 tratamentos.

São eles :

  1. Azul de Metileno : comprado em farmácias, custa barato e é a base dos fungicidas dos laboratórios aquarísticos. Primeiro, desligue o filtro. Depois disso, coloque 1 ml do azul de metileno para cada 100 litros de água do aquário. Deixe por 12-18 horas e religue o filtro. Se os sintomas permanecerem, repita o tratamento por mais 2 dias. Se 2 dias após religar o filtro a água do aquário permanecer azulada, troque um pouco dela. É o tratamento mais eficaz contra fungos.
  2. Mercúrio cromo : também facilmente encontrado em farmácias. O tratamento consiste em colocar 1 gota para cada 12 litros de água. Caso não dê resultado, dê um banho de 10 minutos no peixe numa solução de água com mercúrio na proporção de 1 gota para cada 2 litros de água.
  3. Formalina : encontrada em algumas farmácias, ou em farmácias de manipulação, com certeza. É um remédio a base de formol diluído a 35%. Esse tratamento é forte, e as concentrações do produto devem ser seguidas à risca, senão o peixe pode morrer. Peixes muito debilitados não devem ser submetidos a esse tratamento, e esse remédio não deve ter contato com as mãos do criador. Inicialmente, deve ser tentada a aplicação de 1 ml de formalina para cada 100 litros de água diariamente por 3 dias (a formalina evapora, não se preocupe). Se não der resultado, dê um banho de 15 minutos no peixe em uma solução de água e formalina com 1 ml de formalina para cada 10 litros de água. Dê esse banho diariamente durante 3 dias.

Aí estão os tratamentos que eu costumo utilizar.

Espero que funcionem bem para você.

Qualquer dúvida, me mande um e-mail que responderei prontamente.

Fonte: Marcos Tanaka Riyis